VOCÊ JÁ PRESENCIOU ALGUÉM SOFRENDO OU PRATICANDO O BULLYING?
VOCÊ JÁ PRESENCIOU ISTO EM SUA ESCOLA?
CASO VOCÊ JÁ TENHA VISTO ESTAS CENAS EM SUA ESCOLA, VOCÊ JÁ…
FOI ALVO DE BULLYING, OU;
ALVO/AUTOR DE BULLYING, OU;
AUTOR DE BULLYING, OU;
TESTEMUNHA DE BULLYING.
O QUE É BULLYING?
DEFINIÇÃO:
Bullying não é fácil de definir.
Algumas vezes envolve bater, empurrar ou chutar. Mas ameaças, gozações e zombarias são mais comuns e podem causar grandes danos.
BULLYING É…
“…TODAS AS FORMAS DE ATITUDES AGRESSIVAS, INTENCIONAIS E REPETIDAS, QUE OCORREM SEM MOTIVAÇÃO EVIDENTE, ADOTADAS POR UM OU MAIS ESTUDANTES CONTRA OUTRO(S), CAUSANDO DOR E ANGÚSTIA, E EXECUTADAS DENTRO DE UMA RELAÇÃO DESIGUAL DE PODER…”
“…Bullying são atos repetidos de intimidação, deliberados, de um indivíduo mais forte contra outro mais fraco, objetivando dominação. Pode ser físico (com ou sem contato), verbal, emocional, racista ou sexual.”
“…Bullying é uma forma de abuso de poder, de crianças contra crianças.”
E ONDE O BULLYING OCORRE?
O BULLYING É UM PROBLEMA MUNDIAL, SENDO ENCONTRADO EM TODA E QUALQUER ESCOLA, NÃO ESTANDO RESTRITO A NENHUM TIPO ESPECÍFICO DE INSTITUIÇÃO: PRIMÁRIA OU SECUNDÁRIA, PÚBLICA OU PRIVADA, RURAL OU URBANA.
DE QUE MANEIRA OS ALUNOS SE ENVOLVEM COM O BULLYING?
OS ALUNOS SE ENVOLVEM COMO:
ALVOS: são os alunos que só sofrem BULLYING;
ALVOS/AUTORES: são os alunos que ora sofrem, ora praticam BULLYING;
AUTORES: são os alunos que só praticam BULLYING;
TESTEMUNHAS: são os alunos que não sofrem nem praticam BULLYING, mas convivem em um ambiente onde isso ocorre.
DEPOIMENTOS:
“Não vou mentir, meus colegas me tratam muito mal, com violência verbal, porém, quanto mais me tratam mal, mais eu tenho rancor dos meus companheiros de escola. Sou caluniado porque tiro sempre notas boas e, se contar para os professores ou para a direção, eles falam que vão me pegar. Por isso, fico quieto…” (aluno de 12 anos)
“Minha vida escolar é muito ruim porque os meninos me colocaram um apelido que me deixa magoada. Queria resolver isto, mas não consigo. Finjo que não ligo, mas não adianta nada, de qualquer jeito eles me xingam. Não sei o que fazer, falei para a professora, mas eles continuam assim mesmo…” (aluna de 10 anos)
Pesquisa do Instituto Butantan usa saliva de carrapato-estrela contra câncer
Da saliva do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), a ciência conhece apenas os efeitos nocivos. A febre maculosa, doença muitas vezes fatal, é transmitida pela picada do aracnídeo. Da mesma substância, porém, podem sair novos medicamentos contra o câncer, além de anticoagulantes. Há seis anos, pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, trabalham no desenvolvimento de uma droga que possa ser utilizada com as duas finalidades. O prognóstico é animador.
A pesquisa – ainda não publicada – foi um dos destaques no 22º Congresso Internacional da Sociedade de Trombose e Hemostasia, realizado em Boston (EUA), em julho. “Imaginávamos que a saliva do carrapato tivesse algum componente que inibe a coagulação, pois, como hematófago, precisa manter o sangue fluindo para se alimentar”, explica a farmacêutica Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, coordenadora do estudo.
Partindo dessa suspeita, a pesquisadora analisou a sequência de genes da glândula salivar do carrapato, responsável pela produção de uma proteína anticoagulante. Os resultados foram comparados à ação de anticoagulantes conhecidos como TFPI (presentes na saliva humana). A conclusão foi que a proteína presente na saliva poderia ser produzida em laboratório. Um pedaço do DNA analisado foi introduzido em bactérias Escherichia coli que passaram a secretar a mesma proteína. “Elegemos esse clone e produzimos a proteína recombinante”, explica Ana Marisa.
O resultado do estudo transformou-se em um pedido de patente, depositado em 2004, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). No entanto, em pouco tempo, Ana Marisa descobriu que a pesquisa renderia mais do que um futuro anticoagulante.
Testando a proteína em células de vaso sanguíneo para medir seu nível de toxicidade, descobriu-se que a substância é segura para células saudáveis, mas fatal para células tumorais. O experimento foi então extendido a camundongos que tiveram melanomas (câncer de pele) induzidos, e o resultado surpreendeu os pesquisadores.
Tratados durante 42 dias com a proteína, os tumores dos camundongos apresentaram reversão completa. “Testamos em culturas de células tumorais e a surpresa foi positiva, pois a proteína tem atividade altamente citotóxica para elas e não para células normais”, explica Ana Marisa.
Algumas das explicações que os cientistas buscam agora são como funciona a ação pró-coagulante de alguns tipos de tumores – como o melanoma e o de pâncreas – e a inibição de mecanismos de divisão celular. “Essa relação é um grande achado, pois quando você retira sangue desses tumores pode ver ele coagular ainda na seringa”, diz a pesquisadora do Butantan.
Interesse da indústria x burocracia – O estudo segue em fase pré-clinica, ou seja, ainda passará por mais testes antes de ser aprovado para experimento em humanos, mas já despertou o interesse da indústria farmacêutica. Os laboratórios BioLab, Aché e União Química formaram um consórcio para a produção de futuros medicamentos que podem surgir a partir da descoberta.
Ana Marisa, no entanto, não demonstra otimismo. Segundo ela, o entrave burocrático para transformar a pesquisa de base em um produto desistimula os cientistas e impede que novos medicamentos cheguem ao mercado. “O Instituto Butantan não tem autonomia para assinar patentes e o processo burocrático é longo”, afirma. “Por outro lado, a indústria questiona por que investir em algo que não tem segurança jurídica.
O impacto da construção do gasoduto na vida da população amazônica
O gasoduto que vai levar o gás de Urucu para Manaus demorou três anos para ser construído. No auge, a obra empregava quase nove mil pessoas.
Foi preciso usar técnicas de construção inovadoras para diminuir os danos ao ambiente. Os engenheiros enfrentaram desafios específicos da Amazônia. Muitos rios, entre eles o enorme Solimões, lagos, pântanos, chuvas intensas, solo instável e uma floresta a ser protegida.
Os riscos ambientais na região do Solimões são bem conhecidos e a preparação para enfrentar uma eventual situação de emergência é intensa, mas há outro tipo de impacto que recebe pouca atenção: as mudanças na vida da população.
O gasoduto, por exemplo, cortou a pequena Vila de Santa Luzia do Miriti e as 30 famílias que vivem aqui esperavam uma grande melhoria de vida com a chegada da riqueza do gás, mas ficaram desapontadas.
Com sua política de compensação, a Petrobrás construiu o prédio de uma escola, que é também a sede da Associação Comunitária, mas os moradores acham que foi pouco. Não receberam a luz prometida e o motor da bomba do poço de água não funciona. Poucas das promessas escritas foram cumpridas.
A ironia é que com todo o gás natural que vai passar pela vila, os moradores não têm energia nem mesmo para uma câmara frigorífica. O Cupuaçu, único bem que pode ser comercializado pelos moradores, apodrece no chão.
O engenheiro ambiental Alexandre Rivas trabalha com comunidades na área do gasoduto. Ele explica por que parte do lucro do petróleo e do gás tem de ficar na Amazônia. “A nossa preocupação seria o quanto a indústria do petróleo, ou a indústria de extração de recursos natural, consegue interagir com o desenvolvimento, ajudar no desenvolvimento da região. Que não seja uma exploração pela exploração”.
O ciclo do petróleo poderia ter feito de Coari uma cidade modelo, mas a realidade está longe disso. Coari ficou rica com Urucu. As reservas estão dentro da área do município. No ano passado a cidade recebeu R$ 60 milhões em royalties, quase R$ 1.000 por habitante, mas o que se vê nas ruas é pobreza.
“Dinheiro tem demais, agora ninguém sabe para onde é que vai. Ninguém sabe para onde está sendo aplicado esse dinheiro”. “Tudo errado, até os cegos enxergam isso. Está tudo errado”, comentam moradores.
A população ribeirinha tinha em 2006 uma renda per capita de apenas R$ 115 por mês, bem menos que a renda média dos moradores das áreas rurais do Estado.
Os administradores de Coari têm uma clara preferência por obras que possam ser vistas pelos eleitores e que envolvam grandes contratos. Os prédios das escolas municipais são novos e modernos, mas a qualidade do ensino fica abaixo da média do Estado do Amazonas. Fica atrás de cidades do mesmo porte que não contam com a riqueza do gás e do petróleo.
No ano passado a Polícia Federal lançou a ‘Operação Vorax’ para apurar desvios de verbas da prefeitura. 22 pessoas foram presas e quase R$ 7 milhões em dinheiro vivo foram achados em malas. A acusação foi de superfaturamento em obras.
O atual prefeito, que chegou a ser detido na operação, reconhece alguns problemas da cidade, mas diz que o dinheiro está sendo bem aplicado. “Um município que não tinha nada e se tornou hoje, graças a Deus, conhecido pelas obras, pelas infra-estruturas que foram criadas. Eu reconheço que hoje as ruas estão esburacadas, mas isso não quer dizer que nos não podemos resolver”, afirma o Prefeito de Coari, Rodrigo Alves da Costa. Padre Zezinho, um crítico dos administradores da cidade, lamenta a situação de Coari. “Ostentamos índices ridículos, pífios, na qualidade da educação do nosso município. Um péssimo tratamento da água. Eu me sinto assim, como padre, angustiado de ver tanta pobreza em um município tão rico”.
Os indígenas receberam mais atenção. As poucas aldeias que tiveram sua área cortada pelo gasoduto foram recompensadas com boa ajuda. Baku, a cacique de um grupo Sateré-Mawé, com dez famílias, está feliz.
Teve dinheiro para a oca da escola, fez uma farmácia de ervas naturais e ainda construiu um grande espaço para atividades religiosas e culturais. As crianças aprendem o português e também cultivam a língua de seus ancestrais.
A farmácia é muito importante. Os Sateré-Mawé foram iniciadores da cultura do guaraná e têm remédios para quase todas as doenças, mas quando perguntei a Cacique qual era a melhoria de que ela mais se orgulhava, não titubeou.
“Primeiro a escola trouxe uma coisa muito importante para nós. Porque daqui era muito longe para estudar e está dentro da nossa comunidade a nossa escola. Precisa nossos indinhos irem lá na cidade e voltar? Não, dentro da comunidade que estão estudando.”
A Petrobrás afirma que já implementou diversas medidas compensatórias para as comunidades por onde passa o gasoduto e que todos os acordos com a Vila de Santa Luzia do Miriti serão cumpridos.
Os riscos da exploração de petróleo e gás no meio da Amazônia
Achar petróleo na Amazônia era sonho antigo. Durante a maior parte do século passado o governo brasileiro perfurou centenas de poços na floresta.
Havia o temor de que potências ou empresas estrangeiras já tivessem mapeado clandestinamente o subsolo da Amazônia e que estivessem de olho em uma riqueza ainda desconhecida dos brasileiros. A tese, provavelmente infundada, incentivou ainda mais a busca por petróleo na região.
O Brasil só descobriu o petróleo na Amazônia porque houve persistência, sempre se imaginou que em uma área imensa tinha que ter petróleo, mas não foi fácil. O primeiro poço perfurado na Amazônia foi em 1917 e durante décadas o resultado comercial foi zero. A sorte só começou a mudar em 1978.
Nesse ano foi encontrada uma área rica em gás às margens do Rio Juruá. Geólogos pioneiros da Petrobrás, como Giuseppe Bacoccoli, que passaram anos na selva atrás de petróleo em condições muito difíceis, comemoraram.
“Eu sempre brinco que a Amazônia é uma bacia que está engasgada aqui na garganta, porque nós sempre acreditamos no potencial da Amazônia, mas levamos muitos anos, anos demais para conseguir vencer, conseguir entender a Amazônia, conseguir entender os mistérios da geologia da Amazônia, conseguir entender os mistérios da selva, como operar naquelas áreas, como trabalhar naquelas regiões e tudo o mais”, conta o Geólogo, Giuseppe Bacoccoli.
Mas a descoberta de gás, e não de petróleo, lembra o geólogo, foi um balde de água fria. À época não havia mercado para gás natural. O achado, no entanto, intensificou a pesquisa na região e perto dali, oito anos depois, foi encontrado o primeiro campo em Urucu. Com muito gás, mas também com petróleo e foi esse óleo de alta qualidade que tornou viável a exploração comercial. Em dois anos, Urucu estava produzindo.
Mas faz sentido explorar gás e petróleo na Amazônia? Uma região de mata, rios e lagoas, extremamente sensível? Um eventual vazamento, uma explosão, um grande incêndio podem ter consequências graves para o ambiente.
Um laboratório, no Rio de Janeiro, foi criado para enfrentar uma situação de emergência. Ele faz parte do Projeto Piatam, que monitora as atividades de produção e transporte de petróleo e gás natural de Urucu. Tudo é feito à distância, por computador.
Os pesquisadores estudaram o comportamento dos rios e criaram programas que vão orientar as decisões no caso de um vazamento de óleo. Os cientistas conhecem em detalhes o comportamento das correntes, das cheias e dos períodos de águas baixas.
“Você tem desníveis de rio, de dez, doze metros, que vão alagar as regiões no entorno, chega a até 40, 50 quilômetros da margem. Você imagina um acidente de petróleo, ele penetrando por essa região. Essa região não tem acesso, a gente não consegue chegar lá”, afirma o Professor e Coordenador do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia, Luiz Landau.
Os pesquisadores são claros: a sociedade tem que avaliar continuamente se o benefício, o petróleo de Urucu, vale o risco. Tudo é feito para evitar um acidente, mas ele pode acontecer. “Qualquer atividade que envolve petróleo tem risco. A sociedade tem que convier com isso”, diz o professor Landau.
Risco também no gás. Urucu, este ano, entrou em uma nova fase: a exploração do gás natural, que vem junto com o petróleo e que desde o início da produção tem sido reinjetado nos poços por falta de um gasoduto que chegue a Manaus.
Primeiro foi feito o trecho do gasoduto que vai de Urucu até o Porto de Coari. Só agora está em fase final a parte que vai até Manaus, com 385 quilômetros de comprimento. O gasoduto passa por uma das áreas mais bonitas e intocadas da Amazônia.
Estamos em um acampamento flutuante ancorado no Lago Miuá, 250 quilômetros rio acima de Manaus. Um grupo de trabalhadores vive e trabalha neste lugar temporariamente. É uma vila amazônica móvel. Hoje está aqui, amanhã poderá estar em outro ponto da linha do gasoduto.
A balsa tem um conforto com que a população ribeirinha não está acostumada. “O almoço é bom, o banho é bom, a dormida é ótima. Até tem sala de TV”, conta o baiano Luiz Soares Cavalcante.
A balsa tem restaurante, quartos com ar condicionado e uma padaria. As balsas permitiram um desmatamento um pouco menor nos canteiros de obra. Mesmo assim, muitas árvores foram derrubadas para a passagem do duto.
Quando ele estiver transportando gás, a operação será comandada por um centro de controle e sensoriamento remoto que fica na sede da Transpetro no Rio de Janeiro.
Para o gás de Urucu, também cabe a avaliação de risco e benefício que a sociedade brasileira tem de fazer. O gerente-geral da obra, Mauro de Oliveira Loureiro, aponta o benefício. “Essa obra vai significar a mudança da matriz energética da região. Nós vamos sair de um grande consumo de óleo diesel, óleo combustível, na geração de energia, para o consumo de gás natural.”
Os riscos, todo mundo conhece. “Aquele negócio se você tiver um problema em um local não tão preservado, não tão vigiado, a repercussão é uma. Aqui a repercussão seria muito maior”, diz Mauro.
O desenvolvimento econômico e preservação da natureza na Amazônia
Uma atividade como essa, em um ambiente tão sensível, exige muitos cuidados. Um deles foi isolar o Campo de Urucu, onde só se chega de avião ou de barco.
Uma chama onde menos se espera: no centro de uma floresta virgem. De perto, as instalações assustam. De longe, nem tanto. É preciso aproximar muito a imagem de satélite para ver os Campos de Urucu, no centro do Estado do amazonas. Uma pista de pouso, um pólo de controle e 70 poços ligados por estradas pequenas.
Foi à boa quantidade de gás e a alta qualidade do petróleo que levaram o Brasil a assumir o risco de iniciar essa exploração em um ambiente tão sensível.
O petróleo de Urucu, saindo de uma profundidade de 2.300 metros. É um especial, leve, rico em produtos nobres, muito valorizado. É o melhor petróleo produzido no Brasil.
A extração de petróleo não é grande, menos de 2% da produção brasileira, mas dá para abastecer grande parte da Amazônia. Mais do que petróleo, Urucu produz gás. Sai daqui todo o gás de cozinha consumido no norte do país e em parte do nordeste.
Dos poços também sai um outro tipo de gás, o natural. Para aproveitá-lo, está em fase de acabamento um super gasoduto. Ele começa em Urucu, passa por Coari e chega a Manaus. O gás vai substituir o óleo que hoje é queimado em termoelétricas. Ele polui menos e é mais barato.
“Então você pode colocar energia em toda essa região a partir do gás que é transportado de forma mais limpa, porque o gás ele volatiliza, ele não suja o ambiente”, Gerente Executivo de exploração da região norte e nordeste da Petrobrás, Christóvan Sanches.
O gasoduto vai custar R$ 4,5 bilhões, quase o dobro do previsto. A obra enfrentou chuvas, pântanos e inundações. Alguns tubos tiveram de ser transportados por helicópteros. Um levantamento das doenças que poderiam atacar os operários teve resultado assustador. “47 doenças tropicais: Malária, Leishimaniose e até Febre do Oeste do Nilo. A gente estaria sujeito porque tem uma ave migratória, que pousa na região, e poderia nos contaminar com a Febre do Oeste do Nilo”, explica Mauro de Oliveira Loureiro, gerente geral da obra do gasoduto.
O controle das doenças, no entanto, foi bem sucedido. “Não tivemos nenhum caso de contaminação de Malária durante a obra, mesmo tendo períodos em que quase temos nove mil pessoas trabalhando”, disse Mauro.
Todo o material usado em Urucu é trazido por balsas. A decisão foi isolar a área do resto da civilização. A construção de estradas de acesso poderia trazer posseiros e madeireiros para uma região de floresta virgem e rios limpos.
No Rio Urucu a gente vê como a intervenção na natureza provocada pela exploração do gás e do petróleo é pequena e localizada. O porto Urucu surge de uma hora para a outra em meio a um ambiente preservado. Não foi preciso destruir uma larga extensão de floresta.
O rio de águas escuras é lindo, mas traiçoeiro. A navegação exige perícia dos marinheiros. “Ele não tem espaço para você manobrar direito, é muito estreito, e você tem que ter bastante cuidado”, conta o comandante do barco, Manoel da Silva.
Quem antes vivia do trabalho duro e mal pago na exploração da floresta, hoje tem emprego com carteira assinada. “Nasci no interior, cortando seringa, fazendo roça”, conta Juvenal Rodrigues Feitosa, de 55 anos.
O jardineiro, Raimundo Ferreira da Silva, que cria mudas para reflorestamento é outro amazonense que se livrou da vida difícil de seringueiro. “Porque a gente pegou um dinheiro melhor, um trabalho mais seguro”.
O pessoal que trabalha em Urucu faz turnos, 14 dias de trabalho isolado na floresta por 14 dias de descanso com a família em Manaus e em outras cidades do Brasil. “A Amazônia acho que todo mundo tem um sonho em conhecê-la. Tem hora que eu estou trabalhando em Urucu e eu fico pensando, no mapa. A distância de Betim para cá. Nunca me imaginei estar aqui no coração da Amazônia”, afirma Giovanini Araújo, mineiro de Betim
Difíceis são os momentos de descanso, quando a saudade da família bate forte. Aí sempre tem um jogo de dominó, muita conversa jogada fora e o suor da ginástica. Quem quiser, pode aproveitar a escola montada especialmente para os funcionários.
Bilga Cândido da Silva é camareira em Urucu. Ela gostou do sistema que permite que ela fique 14 dias com os filhos nas folgas em Manaus. Em Urucu ela consegue fazer o que sempre quis: estudar. “Você passa o dia trabalhando. À noite você já vem para a escola e já está ocupando aquele espaço de noite que fica vago, com saudade da família. Você já vem para a escola e estuda. Você está aprendendo e ainda está ocupando o tempo”, conta.